Universidade de Macau lança ligação a satélites para prever desastres naturais

  • 23 fevereiro 2023, quinta-feira
  • Gestão

A Universidade de Macau inaugurou uma base de ligação a satélites, cujos dados poderão ajudar a prever desastres naturais, incluindo ciclones tropicais e tufões, e lançar alertas atempados.

A diretora adjunta do Laboratório de Referência do Estado de Internet das Coisas para a Cidade Inteligente da Universidade de Macau, Ma Shaodan, disse que a informação pode servir para “prever” a situação meteorológica e o nível das águas do mar.

Num comunicado, a Universidade de Macau sublinhou que a tecnologia utilizada em satélites de monitorização terrestre, incluindo a utilização de algoritmos e de grandes dados, podem “promover a segurança das cidades e a prevenção de desastres”.

No comunicado lembra-se o potencial impacto da subida das águas do mar e dos ciclones tropicais nas cidades da Grande Baía, região cuja costa representa quase 30 por cento da área terrestre.

A Grande Baía é um projeto do Governo chinês para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, numa região com cerca de 80 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto (PIB) superior a um bilião de euros, semelhante ao PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

No discurso durante a cerimónia de inauguração da base de ligação a satélites, o reitor da Universidade de Macau, Song Yonghua, lembrou que Macau é atingido todos os anos por tufões.

Em 2017, o tufão Hato, considerado o pior em mais de meio século a atingir o território, causou dez mortos e 240 feridos.

Ma Shaodan sublinhou que “é muito complicado” prever a trajetória e comportamento de tufões e ciclones tropicais, mas disse que, assim que for possível recolher um grande volume de dados, “a tecnologia de simulação pode ajudar muito”.

A montagem da antena parabólica no campus da Universidade de Macau em Hengqin (Ilha da Montanha) começou em 2022 e a infraestrutura já está em operação, recebendo dados de dois grupos de satélites chineses e norte-americanos que cobrem quase toda a China e o mar do Sul da China, disse a académica.

Ma Shaodan disse que o principal objetivo é “ajudar a investigação ligada à cidade inteligente e sobre o oceano e as zonas costeiras”.

O reitor da Universidade de Macau tinha ainda destacado a ligação da universidade aos países de língua portuguesa, tendo mencionado em particular Angola e Moçambique.

Ma Shaodan confirmou que a nova base está interessada em “partilhar e trocar dados com outros países”, incluindo os lusófonos, “para apoiar o seu desenvolvimento, promover colaborações e criar uma base mais forte para investigação”.

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