Cidadãos de países desenvolvidos dispostos a mudar de vida para combater alterações climáticas

Cidadãos de países desenvolvidos estão dispostos a mudar a forma de viver e trabalhar para combater as alterações climáticas, mas muitos duvidam do sucesso dos esforços internacionais contra o aquecimento global, indica um inquérito divulgado esta semana.

O inquérito foi elaborado pelo instituto norte-americano “Pew Research Center” em 17 economias avançadas da América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico, incluindo países como França, Alemanha, Itália, Espanha, Coreia do Sul e Estados Unidos. Foi realizado na primavera passada e envolveu ao todo quase 20 mil pessoas.

De acordo com os resultados divulgados há uma preocupação generalizada quanto ao impacto pessoal das alterações climáticas, com a maioria dos inquiridos a admitir algumas mudanças na forma como vive e trabalha, ainda que não seja claro que esses esforços tenham impacto.

Considerando os 17 países, uma média de 34 por cento dos inquiridos disse estar disposta a considerar “muitas mudanças” na vida quotidiana como resposta às alterações climáticas.

O inquérito foi feito antes das últimas vagas de incêndios, secas, inundações e tempestades mais fortes do que o habitual, como as inundações na Alemanha deste verão, mas revela um sentimento crescente de ameaça pessoal em relação às alterações climáticas. Na Alemanha, por exemplo, a percentagem dos que se manifestaram muito preocupados com as consequências pessoais do aquecimento global aumentou 19 pontos percentuais em relação a 2015, passando de 18 por cento para 37 por cento.

Os resultados da investigação indicam também que os jovens adultos estão mais preocupados com o impacto pessoal de um planeta em aquecimento do que as pessoas com mais idade. A maior diferença foi encontrada na Suécia, mas também foi considerável em países como a Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos, França e Canadá.

Em relação ao espetro ideológico verificou-se que as pessoas identificadas com a esquerda estão mais abertas a tomar medidas pessoais para ajudar a reduzir os efeitos das alterações climáticas. Essa diferença entre esquerda e direita foi mais patente nos Estados Unidos.

Em 12 dos 17 países, metade ou mais dos inquiridos consideraram que a sua própria sociedade tem feito um bom trabalho ao lidar com as alterações climáticas.

Apesar disso, a grande maioria entende como fraca a resposta dos Estados Unidos e da China às alterações climáticas. Numa média dos 17 países 78 por cento dos inquiridos descreveram como “má” a forma como a China lida com as mudanças do clima, e 61 por cento julgaram também “má” a resposta dos Estados Unidos.

Do total dos inquiridos 52 por cento disseram não acreditar que uma resposta mundial às alterações climáticas seja bem-sucedida, em comparação com 46 por cento que acreditam que os países podem responder em conjunto ao impacto das alterações climáticas.

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