Renováveis ultrapassam pela primeira vez combustíveis fósseis na UE em 2020

  • 26 outubro 2021, terça-feira
  • Energia

De acordo com um relatório divulgado hoje pela Comissão Europeia, as energias renováveis foram, em 2020, a principal fonte de energia na União Europeia (UE), ultrapassando pela primeira vez os combustíveis fósseis como fonte principal de energia e as emissões de gases com efeito de estufa diminuíram 31 por cento em relação aos níveis de 1990.

Em causa está o relatório publicado hoje sobre o Estado da União da Energia para 2021, com um balanço sobre os progressos da UE na realização da transição de energia limpa, quase dois anos após o lançamento do Pacto Ecológico Europeu e numa altura de escalada dos preços da luz – devido à subida no mercado do gás, à maior procura e à descida das temperaturas –, que ameaça exacerbar a pobreza energética e causar dificuldades no pagamento das contas de aquecimento neste outono e inverno.

Em concreto, “o relatório mostra que as energias renováveis ultrapassaram os combustíveis fósseis como a fonte de energia número um na UE pela primeira vez em 2020, gerando 38 por cento da eletricidade, em comparação com os 37 por cento dos combustíveis fósseis” e com os 25 por cento da energia nuclear, realçou o executivo comunitário em nota à imprensa.

Dados incluídos no documento revelam que Portugal era, em 2019, o sétimo país da UE com percentagem mais alta de energia proveniente de fontes renováveis a pesar no consumo final bruto, na ordem dos 30 por cento, apenas superado pela Suécia, Finlândia, Letónia, Dinamarca, Áustria e Estónia.

A média comunitária desta quota das fontes de energia renováveis no cabaz energético global da UE fixou-se em, pelo menos, 22 por cento, embora alguns Estados-membros estivessem em risco de não cumprir as suas metas nacionais.

O relatório indica também que, até agora, “nove Estados-membros da UE já eliminaram progressivamente o carvão, 13 outros comprometeram-se com uma data de eliminação progressiva e quatro estão a considerar possíveis calendários”, assinalou a Comissão Europeia.

Além disso, “em comparação com 2019, as emissões de gases com efeito de estufa na UE a 27 em 2020 caíram quase dez por cento, uma redução sem precedentes nas emissões devido à pandemia Covid-19, que trouxe reduções globais de emissões para 31 por cento, em comparação com 1990”, acrescentou.

O documento revela ainda uma diminuição de 1,9 por cento no consumo de energia primária e de 0,6 por cento no consumo final de energia no ano passado, reduções que ficam, porém, acima da trajetória necessária para cumprir os objetivos climáticos da UE para 2020 e 2030.

Este menor consumo de energia em geral levou a uma redução ligeira nos subsídios aos combustíveis fósseis, enquanto os subsídios às energias renováveis e à eficiência energética aumentaram em 2020.

“Embora haja uma série de tendências encorajadoras, serão necessários maiores esforços para atingir o objetivo de 2030 de reduzir as emissões líquidas em pelo menos 55 por cento e alcançar a neutralidade climática até 2050”, alertou a Comissão Europeia, ressalvando também que “os dados terão de ser analisados cuidadosamente no próximo ano para tendências Pós-covid-19 a mais longo prazo”.

Este relatório surge também num contexto de pico dos preços da energia em toda a Europa, em grande parte devido ao aumento dos preços do gás.

Embora temporária, esta situação revela a dependência da UE das importações de energia, que aumentou para o nível mais alto em 30 anos, bem como a necessidade de o bloco europeu apostar em fontes alternativas e mais limpas para aumentar a segurança energética da UE.

Segundo o relatório, cerca de 31 milhões de pessoas na UE estão em risco de pobreza energética.

A Comissão Europeia apresentou, em meados de outubro, uma “caixa de ferramentas” para orientar os países da UE na adoção de medidas ao nível nacional para aliviar as faturas dos consumidores.

A instituição propôs aos Estados-membros que avancem com ‘vouchers’, reduções temporárias ou moratórias para aliviar as contas da luz aos consumidores mais frágeis, sugerindo ainda uma investigação a “possíveis comportamentos anticoncorrenciais”.

O executivo comunitário propôs ainda aos países que avaliassem “potenciais benefícios” de uma aquisição conjunta voluntária de reservas de gás.

Login

Faça login para ter acesso aos artigos pagos da revista.
Se ainda não tem conta, adquira uma subscrição na Loja Online da Engenho e Média.

Últimos Concursos Públicos

  1. Fornecimento de Equipamentos Inteligentes e Sistemas de Gestão e Recolha...
    Valor base: 5 490 000,00€
  2. Empreitada de Reformulação da Estação de Transferência...
    Valor base: 13 707 750,00€
  3. TER.PR.26.088 - Porto de Portimão: Fornecimento e instalação...
    Valor base: 5 927 370,00€

Ver Todos os Concursos

Eventos

ENERH2O
23 set 2026, quarta-feira

Exponor, Porto

22º ENaSB SILUBESA
30 set 2026, quarta-feira

Algarve

SENAG - Seminário Nacional de Águas Residuais
14 out 2026, quarta-feira

Guimarães

ExpoMetal
11 nov 2026, quarta-feira

Exposalão, Batalha

Ver Todos os Eventos >

Newsletter Indústria e Ambiente

Receba quinzenalmente, de forma gratuita, todas as novidades e eventos sobre Engenharia e Gestão do Ambiente.


Ao subscrever a newsletter noticiosa, está também a aceitar receber um máximo de 6 newsletters publicitárias por ano. Esta é a forma de financiarmos este serviço.