Bioenergia em Portugal - do plano de ação à descarbonização real
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- 07 setembro 2026, segunda-feira
- Energia

FOTO BERND DITTRICH / UNSPLASH
O peso da bioenergia no consumo primário de energia em Portugal basicamente divide-se em três componentes. A primeira diz respeito à biomassa consumida para geração de eletricidade, que em 2024 representou 7,3 % da produção bruta de eletricidade resultante da contribuição das centrais elétricas em cogeração e das dedicadas. A segunda diz respeito à incorporação física de 244,9 milhões de m³ de biocombustíveis líquidos no transporte rodoviário, e a terceira componente refere-se à biomassa utilizada para aquecimento no subsetor doméstico, que representou 26,2 % do consumo total de energia neste subsetor no mesmo ano. Entretanto, a publicação do Plano de Ação para o Biometano 2024-2040 veio dinamizar a Bioenergia, e espera-se que, até 2030, a biomassa contribua com 2,7 TWh de combustíveis renováveis gasosos para a descarbonização da rede pública de gás, aumentando a segurança de abastecimento e reduzindo a dependência energética externa devido ao aproveitamento de recursos locais.
A
cresce que a transposição da Diretiva RED III, que se encontra em publicação na legislação nacional, possui uma meta obrigatória para os fornecedores de combustíveis de incorporarem 28 % de combustíveis renováveis no transporte rodoviário em 2030, onde se incluem os combustíveis de baixo carbono (CBC) líquidos e gasosos e os e-fuels. A pertinência deste caderno dedicado à bioenergia e, em particular, aos CBC é especialmente relevante quando, recentemente, o Governo decidiu mandatar a ENSE, com o apoio da DGEG e do LNEG, de preparar a ”Estratégia Nacional de Descarbonização dos Combustíveis Líquidos 2040”, focada no transporte rodoviário, que será sujeita a consulta pública até ao final do ano.
Os CBC representam a solução em larga escala a um custo admissível, tendo em conta as externalidades do preço do CO2 emitido, que nenhuma transição energética pode dispensar, a menos que se pretenda o caminho da disrupção energética, que é irrealista, irresponsável e danoso para a economia. A Plataforma dos Combustíveis de Baixo Carbono, que agrega um conjunto importante de peritos nacionais em diversas áreas dos transportes e do clima, tem insistentemente alertado para a importância da existência de uma estratégia nacional para os CBC.
Na definição dos CBC, existe um conjunto de vetores energéticos diversos que serão abordados neste caderno, desde os combustíveis líquidos sustentáveis (biocombustíveis avançados, e-fuels líquidos) para a aviação, os biocombustíveis (biodiesel, HVO, bioetanol, bio-GPL, bio-LNG) e os combustíveis sintéticos (e-metanol, e-amoníaco, e-bioLNG) para o setor marítimo e o setor dos transportes pesados de mercadorias de média e longa distância.
Os CBC, se forem produzidos de forma sustentável – isto é, utilizando resíduos como matéria-prima, no caso dos biocombustíveis avançados, e, no caso dos combustíveis sintéticos, utilizando CO2 biogénico capturado –, têm o potencial de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa até 95 %, comparativamente com as emissões atuais dos combustíveis fósseis (gasolina, gasóleo, jet fuel A1 de aviação e fuelóleo marítimo). Esta é a via complementar imediata à eletrificação, que, para já, e bem, vai percorrendo o seu caminho nos transportes ligeiros de passageiros.
Outro dado importante que ressalta deste caderno é que a política energética nacional deve ser tecnologicamente neutra e sustentável, ao contrário do que sucedeu no passado recente, permitindo aos agentes económicos adotarem as suas soluções energéticas com base num misto de maturidade, redução de emissões de CO2 e racionalidade económica. E esta depende do acesso a fontes de energia sustentáveis!
Investigador-Coordenador e Diretor da Unidade de Bioenergia e Biorrefinarias
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