Começou a era do combustível sustentável em aviação?
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- 12 outubro 2026, segunda-feira
- Energia

@ S O C I A L . C U T / UNSPLASH
José Correia Guedes, Ex-comandante da TAP Membro da PCBC – Plataforma para os Combustíveis de Baixo Carbono
Talvez.
Como dizia Voltaire no seu Cândido: ”Não há mal que não traga um bem” que é como quem diz: há sempre um lado bom em todas as coisas. Isto a propósito da atual escassez de combustível de aviação (jet fuel A1), em consequência da situação militar no Golfo Pérsico e o consequente encerramento do Estreito de Hormuz ao tráfego marítimo. Os países do Golfo têm as suas exportações de crude e produtos refinados seriamente limitadas e o resto do planeta sofre com isso. Não estará na altura de acabarmos com essa dependência?
Acredito que sim. Vejamos porquê.
O ambiente, antes de mais.
Durante séculos a concentração de CO2 na atmosfera medida em partes por mihão manteve-se razoavelmente estável em volta de 240 ppm. A partir de meados do século XIX com o início da era industrial verificou-se um crescimento acelerado desses valores, que ao dia de hoje já ultrapassam 420 ppm, ou seja, a concentração quase duplicou com as consequências que conhecemos ao nível das alterações climáticas (estudos científicos sugerem que já foi ultrapassado o valor seguro de 350 ppm). O acordo de Paris de 2015 visa limitar o crescimento da temperatura média global até um máximo de 1,5 ºC antes do final do século, mas esse valor já foi ultrapassado porque nem todos os países subscreveram esse objetivo e outros (Estados Unidos, por exemplo) simplesmente abandonaram o acordo.
De que forma contribui a aviação para este estado de coisas?
Contrariamente ao que alguns pensam, a aviação comercial é responsável por apenas 2,5 % das emissões de CO2. A responsabilidade poderá ser ligeiramente agravada se considerarmos o efeito dos contrails (abreviatura de condensation trails) no aquecimento global.
Nos últimos 50 anos, deu-se uma enorme evolução na eficiência dos motores a jato que
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