Educação, cultura e literacia do oceano - A Universidade Itinerante do Mar

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A educação, a cultura e a literacia do oceano são prioridades que integram quer os Objetivos de Desenvolvimento Social das Nações Unidas (ODS 8), quer as Áreas de Intervenção Prioritária da Estratégia Nacional para o Mar 2021 - 2030 (Área de Intervenção Prioritária 2) quer ainda o Plano de Ação do Atlântico 2.0 (Pilar 2).
Apesar do destaque que é conferido ao tema nas estratégias e nas prioridades das políticas públicas, nem sempre há um reconhecimento prático dessa importância, e as ações empreendidas ficam aquém do que seria expectável. O desenvolvimento de uma cultura marítima é crucial para valorizar o interesse da população pelos assuntos do Mar, em geral, e dos jovens, em particular, mobilizando-os para os percursos formativos que os habilitem a procurar profissões marítimas (atuais e futuras). A produção de novas competências profissionais e de novas qualificações são requisitos fundamentais para responder aos desafios que se colocam ao desenvolvimento da economia azul e à sustentabilidade do oceano.
Portugal tem um historial interessante na literacia do oceano dirigido ao público estudantil dos níveis básico e secundário, com destaque para o programa Escola Azul, iniciativa da Direção Geral da Política do Mar (DGPM), com reconhecimento internacional, que orienta e estimula as escolas a desenvolver projetos estruturados e interdisciplinares na área do oceano. Também o Desporto Escolar, em colaboração com os municípios e as escolas, tem desenvolvido uma série de iniciativas para aproximar os alunos do mar, através da prática regular das atividades de canoagem, vela, remo, surfing. Evidência ainda para as iniciativas da Ciência Viva e outras, como a do Colégio Pedro Arrupe, que tem a temática do Mar como elemento central do seu projeto educativo, ou ainda projetos como o Mar & Ar, promovido conjuntamente pelos clusters do Mar e do Aeroespacial, dedicados à apresentação, junto de alunos do 3º ciclo do ensino básico e do ensino secundário, do leque de profissões relacionadas com o mar e com a economia azul (e com o aeroespacial).
O panorama é diferente se olharmos para iniciativas dirigidas a alunos do ensino superior. Para este segmento, além das formações formais de nível superior oferecidas nas áreas das ciências do mar, da biologia marinha, da engenharia naval e, naturalmente, das formações oferecidas pela Escola Náutica Infante D. Henrique e, no plano militar, pela Escola Naval, não abundam programas dirigidos a estudantes do ensino superior de outras áreas de conhecimento tendo o mar como tema de formação. É neste contexto que surge a Universidade Itinerante do Mar (UIM), projeto em cooperação promovido pela Universidade do Porto, pela Universidade de Oviedo e pela Escola Naval de Portugal, com o apoio da Armada Espanhola, sob o lema “Conhecimento e Aventura”. A UIM realizou-se ininterruptamente entre os anos de 2006 e 2018, durante o período de férias de verão, combinando três momentos de formação intrinsecamente articulados (...)
Autor da coluna Economia Azul
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