Soluções de engenharia não tradicionais para solos

  • 31 julho 2026, sexta-feira
  • Solos

FOTO: LAGO GRANDE DO PARQUE DA PAZ (ALMADA)

As soluções baseadas na natureza (SbN) constituem um conceito abrangente que junta intervenções inspiradas e apoiadas pela natureza. Estas soluções conseguem responder a desafios da nossa sociedade de forma eficaz e flexível, promovendo ao mesmo tempo a biodiversidade e o bem-estar das pessoas.

Dentro deste conceito mais geral, a engenharia ecológica (eco-engineering) e a engenharia verde-cinzenta (green-grey engineering) são duas subcategorias. Ambas misturam a engenharia convencional (conhecida como engenharia cinzenta, que usa betão e aço) com elementos naturais. O objetivo destas abordagens híbridas é criar infraestruturas mais resistentes e sustentáveis que, além de resolverem um problema técnico específico, ajudam a proteger a vida selvagem.

Importa, contudo, distinguir os dois conceitos: enquanto a engenharia ecológica (ou eco-engenharia) prioriza a utilização de materiais e processos biológicos (vivos), reduzindo ao mínimo as estruturas artificiais, a engenharia verde-cinzenta combina, de modo deliberado, estruturas rígidas (como muros) com componentes vivos (como plantas), aproveitando as vantagens das propriedades mecânicas e biológicas de ambos.

Estas soluções são aplicadas sobretudo em cinco grandes áreas: a proteção litoral e de estuários, a gestão de cursos de água, as infraestruturas urbanas e gestão de águas pluviais, a estabilização de encostas e taludes, e a reabilitação de áreas degradadas.

No litoral, a principal prioridade é combater a erosão provocada pelo mar. Destacam-se os recifes artificiais bioativos, que são blocos de um betão especial (com pH neutro e superfícies rugosas). Estes blocos funcionam como quebra-mares para travar as ondas e, ao mesmo tempo, servem de "casa" para espécies marinhas como ostras e mexilhões se fixarem. Outro exemplo são os diques litorais verdes, que combinam os muros marítimos tradicionais com a plantação de vegetação adaptada ao sal (como os sapais) mesmo em frente ao dique, para absorver a força das ondas antes de estas baterem na estrutura rígida.

Na gestão de cursos de água, a eco-engineering ajuda a devolver os rios ao seu estado natural (renaturalização de margens). Em vez de se cobrirem as margens com betão — o que acelera o escoamento da água e agrava as cheias a jusante —, usam-se redes de fibras naturais (como coco ou palha), estacas de madeira de árvores que ganham raízes rapidamente (como o salgueiro) e barreiras de pedras (enrocamento) para segurar a terra. As bacias de retenção, que servem para acumular a água das cheias e retardar o tempo de ponta, também podem ser naturalizadas com plantas aquáticas que ajudam a filtrar os poluentes. Um bom exemplo disto é a bacia de retenção da Vala do Caramujo, situada no Parque da Paz, em Almada.

Nas cidades, o foco é gerir a água da chuva para evitar inundações. Isto é feito através de valetas com plantas que filtram a água (biofiltração), pavimentos que deixam a água passar (permeáveis) e jardins preparados para acumular água. Estas soluções reduzem a carga sobre as sarjetas e canos tradicionais, seguindo o modelo das chamadas "cidades esponja" (sponge cities), que absorvem a água em vez de a rejeitar. (...)

Leia o artigo completo na Indústria e Ambiente nº 158, maio/ junho 2026

Paula F. da Silva

Autora da coluna Solos

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