Como reforçar a competitividade da indústria através da economia circular

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A Smart Waste Portugal apresentou o Roadmap de Competitividade para a Economia Circular, um instrumento estratégico que visa acelerar a transição das empresas portuguesas para modelos de negócio mais sustentáveis, inovadores e competitivos, através de um diagnóstico da realidade das PME da indústria transformadora e da definição de ações estratégicas para orientar a transformação circular em Portugal
Desenvolvido no âmbito do projeto TransformEC – Transformação Circular, o Roadmap resulta de um trabalho colaborativo que envolveu entidades do sistema científico, associações empresariais e especialistas, e tem como principal objetivo apoiar a indústria transformadora, com especial foco nas PME, na integração dos princípios da economia circular nas suas estratégias de crescimento.
O documento traça uma visão estratégica para o horizonte 2040, identificando caminhos concretos para reforçar a competitividade empresarial através da eficiência no uso de recursos, da redução de resíduos e da inovação de base ambiental. Entre as principais conclusões, destaca-se a necessidade de promover uma transformação sistémica da indústria, baseada em modelos colaborativos e na articulação entre empresas, entidades públicas e centros de conhecimento.
A apresentação do Roadmap decorreu na conferência do projeto TransformEC, que teve lugar no dia 22 de abril no Porto, e que reuniu diversos stakeholders do setor para debater o futuro da economia circular em Portugal. Na introdução ao documento, António Lorena destacou a perceção, por parte das PME, de que a inovação circular não é uma necessidade nem traz grandes ganhos económicos. Segundo o Managing Partner da 3drivers, entidade parceira no desenvolvimento do documento, isso demonstra a necessidade de reforçar os argumentos em torno da economia circular, cuja narrativa ainda não é tão clara para as empresas como a da eficiência energética, onde os benefícios são mais intuitivos. Além disso, foram identificadas lacunas nos indicadores e na informação recolhida sobre circularidade, o que acaba por tornar o conceito mais abstrato.
Na apresentação, ficaram também claros alguns caminhos para o futuro, como o reforço de gabinetes de apoio à certificação nas empresas, a revisão dos sistemas de avaliação dos bancos, para que estes não considerem apenas a pegada de carbono, bem com a criação de um Plano Nacional de Simbioses Industriais. António Lorena destacou ainda a necessidade de uma abordagem transversal, defendendo que a gestão do território pode ter um papel importante, nomeadamente através da desclassificação de resíduos em zonas industriais.
O Roadmap apresenta um conjunto estruturado de ações estratégicas organizadas em três eixos principais:
- Conhecer para intervir: reforço do diagnóstico e medição da circularidade nas empresas, incluindo o desenvolvimento de ferramentas e programas de reconhecimento de boas práticas;
- Cultivar a transformação: capacitação técnica, educação e disseminação de conhecimento em economia circular;
- Antecipar e inovar: promoção de projetos-piloto, criação de hubs de investimento verde e desenvolvimento de simbioses industriais.
Além disso, o documento evidencia o papel crítico da inovação, especialmente a que inclui benefícios ambientais, como motor simultâneo de sustentabilidade e competitividade, permitindo às empresas reduzir custos, mitigar riscos nas cadeias de abastecimento e aceder a novos mercados.
A Smart Waste Portugal pretende agora mobilizar empresas, decisores políticos e a sociedade para a implementação das medidas propostas, criando condições para uma indústria mais resiliente, eficiente e preparada para os desafios globais. A Diretora Executiva da Smart Waste Portugal, Luísa Magalhães, afirma, citada em comunicado, que “este Roadmap deve ir além de outros documentos estratégicos e constituir um guia de aplicação prática, capaz de ajudar as empresas a transformar a sustentabilidade numa vantagem competitiva, promovendo crescimento económico, inovação e criação de valor a longo prazo”.
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