Transição energética global requer reforço de investimento e aceleração de infraestruturas
- 16 outubro 2026, sexta-feira
- Energia

FOTO SOLARIMO/ PIXABBAY
João Guilherme Oliveira
A Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA) publicou a edição de 2026 do relatório World Energy Transitions Outlook, na qual analisa a evolução do panorama energético global e monitoriza o progresso em direção às metas de descarbonização e aos objetivos fixados pelo Acordo de Paris.
De acordo com o documento, os combustíveis fósseis continuam a representar mais de 80 % do consumo total de energia primária a nível mundial. Embora a capacidade instalada de fontes renováveis apresente ritmos de crescimento recorde nos setores elétricos de várias regiões, a IRENA assinala a existência de lacunas no ritmo de implementação necessário para cumprir as metas globais traçadas para 2030 e 2050.
Principais dados e vetores de análise
O relatório divide a avaliação do sistema energético internacional em diversos eixos centrais:
- Eletrificação e Fontes Renováveis: O setor elétrico regista o avanço mais rápido na integração de energia solar e eólica. Contudo, a agência sublinha a necessidade de alargar a eletrificação direta a setores de difícil descarbonização, como a indústria pesada e os transportes de Longa distância.
- Infraestruturas e Redes: A modernização e expansão das redes elétricas, aliada ao aumento da capacidade de armazenamento de energia (nomeadamente através de baterias), são identificadas como elementos críticos para absorver os volumes crescentes de produção renovável variável.
- Investimento e Capital: A IRENA indica que a transição energética entrou numa fase com elevada necessidade de capital. O documento aponta para a disparidade na alocação de fundos públicos e privados, sobressaindo a concentração de investimentos em economias desenvolvidas e em determinados mercados emergentes, em contraste com fluxos reduzidos para regiões em desenvolvimento.
- Eficiência e Tecnologias Complementares: O relatório aborda igualmente o papel da eficiência energética, do hidrogénio verde, da biomassa sustentável e do planeamento da transição nos setores térmico e de processos industriais.
Desafios de implementação
A publicação descreve que o cumprimento das trajetórias de limitação da temperatura global exige um planeamento integrado que combine políticas regulatórias, incentivos ao financiamento e a redução de barreiras no licenciamento de infraestruturas elétricas.
A IRENA conclui a análise reiterando a importância do reforço da cooperação internacional e do alinhamento das políticas nacionais de energia com os compromissos climáticos assumidos pelos Estados-membros.
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