Águas do Alto Alentejo criará créditos hídricos a partir da redução de perdas de água

  • 09 julho 2026, quinta-feira
  • Água

Águas do Alto Alentejo criará créditos hídricos a partir da redução de perdas de água
SOUSEL, FOTO COMUNIDADE INTERMUNICIPAL DO ALTO ALENTEJO

João Guilherme Oliveira

Região vai criar os primeiros créditos hídricos por eficiência do país

A Águas do Alto Alentejo (AAA) vai integrar a história do setor hídrico em Portugal como a primeira entidade gestora de sistemas de abastecimento de água a desenvolver e operacionalizar o conceito de Benefícios Volumétricos de Água. O anúncio, feito durante a Terceira Conferência Anual da empresa, em Sousel, coloca a região na liderança da inovação ao introduzir uma futura geração de créditos hídricos assentes na eficiência. A estratégia pretende transformar as metas alcançadas na redução de perdas de água em valor ambiental mensurável, abrindo portas a novos modelos de financiamento sustentável e de responsabilidade corporativa. Através da plataforma AQUA+ e do recurso a metodologias internacionais de referência, a AAA vai quantificar cientificamente o volume de água preservado graças à diminuição da designada água não faturada. “A eficiência hídrica deixa de representar apenas uma poupança operacional para passar também a construir um ativo ambiental capaz de gerar valor para o território e contribuir para novos modelos de responsabilidade corporativa e financiamento verde”, destacou o diretor-geral da empresa, Rui Choças.

Quatro anos de atividade e 10 milhões investidos

A revelar a maturidade do projeto, o Presidente do Conselho de Administração da Águas do Alto Alentejo, Rogério Alves, aproveitou a sessão de abertura para fazer um balanco dos quatro anos de atividade da empresa pública. Desde a sua fundação, a entidade já investiu mais de 10 milhões de euros, tendo conseguido captar mais de oito milhões em fundos comunitários para modernizar as infraestruturas regionais e otimizar o serviço à população.

Os resultados práticos desta gestão já estão à vista. Entre os indicadores revelados no encontro, destacam-se:

  • Menos 18% de Água Não Faturada: Uma redução conseguida desde 2022 que evitou a compra de mais de 400 mil metros cúbicos de água tratada, equivalente a cerca de 80 milhões de garrafões de cinco litros.
  • Segurança máxima: A empresa ostenta atualmente uma taxa de 99,64 % de água segura, respaldada pelas exigentes certificações internacionais ISO 9001 (Qualidade) e ISO 14001 (Ambiente).
  • Renovação tecnológica: Está em curso a substituição de 32 mil contadores antigos por modelos eficientes. Paralelamente, arrancou um projeto-piloto de contadores ultrassónicos, totalmente financiado através da reciclagem dos materiais dos equipamentos antigos.
  • Pegada verde: A AAA avançou ainda com a reutilização integral de embalagens de tratamento de água, a eletrificação gradual da frota automóvel e a massificação da faturação eletrónica.

A conferência anual, focada no tema "Eficiência Hídrica e Economia Circular: Caminhos para o Futuro", consolidou-se como um espaço central de debate entre autarcas, investigadores e tecido empresarial. Com os olhos postos nos desafios das alterações climáticas, o Alto Alentejo assume-se, assim, como o laboratório nacional para as soluções sustentáveis na gestão da água.

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