Alterações climáticas e ambiente em destaque no 9º World One Health Congress

FOTO WALKERSSK/ PIXABAY
João Guilherme Oliveira
O congresso World One Health, que decorreu em Lisboa entre os dias 4 e 7 de setembro de 2026, reuniu especialistas mundiais, investigadores e decisores políticos para analisar as interconexões entre a saúde humana, animal e ecossistémica. A nona edição do fórum internacional dedicou um destaque central ao impacto da crise climática e às transformações ambientais na emergência e propagação de doenças.
Ao longo do programa, os painéis focados em "Alterações Climáticas, Ambiente e Saúde dos Ecossistemas" integraram sessões científicas e de interface entre ciência e política (Science Policy Interface). Entre as apresentações em destaque, os especialistas abordaram a expansão geográfica de vetores e agentes patogénicos associada ao aumento global das temperaturas e a fenómenos meteorológicos extremos.
O evento também apresentou uma investigação focada no contexto português, designadamente um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa que utilizou técnicas de machine learning para relacionar episódios de calor extremo com o aumento de admissões hospitalares por infeções em Portugal entre 2000 e 2018. Paralelamente, foram expostos trabalhos sobre a expansão de populações de flebótomos no Sul da Europa e sobre as consequências de inundações estivais na ecologia de vetores transmissores de doenças.
A perspetiva genómica esteve também em evidência com a análise da expansão da bactéria Vibrio vulnificus decorrente de alterações no meio marinho, bem como a avaliação de surtos víricos sob a abordagem de One Health. No plano estratégico, as sessões debateram a integração das crises ambientais nas estruturas globais de governação e equidade em saúde, prevendo a articulação com a agenda climática internacional rumo à COP30.
O programa do congresso contemplou ainda metodologias para a inclusão da saúde das plantas e dos ecossistemas em quadros socioecológicos, além de estratégias de mitigação dos riscos de degradação ambiental na saúde pública global.
A reunião internacional encerrou os trabalhos reafirmando a necessidade de abordagens multissectoriais integradas para fazer face aos desafios sanitários decorrentes das alterações ambientais.
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