Ameaças causadas pelo bioterrorismo, concretamente sobre o ponto de vista da segurança da água para consumo
- 01 junho 2026, segunda-feira
- Água

© N.DUMLAO / UNSPLASH
Este artigo tem como objetivos identificar os possíveis agentes patogénicos utilizados em ações de bioterrorismo em água de consumo e refletir, no âmbito da Saúde Pública, no estabelecimento de sistemas de vigilância e de mecanismos de resposta.
Possíveis agentes de bioterrorismo nos sistemas da água para consumo
São considerados possíveis agentes vírus, bactérias ou outros microrganismos capazes de serem deliberadamente libertados com o objetivo de provocar doença e/ou morte em pessoas, animais ou plantas.
Para que um agente biológico seja potencialmente utilizado em ações de bioterrorismo, deve apresentar certas características que facilitem a sua disseminação e aumentem o seu impacto na saúde pública. Entre essas características, destaca-se a facilidade de acesso e cultivo, permitindo a sua obtenção e reprodução de forma simples.
Outro fator importante é a invisibilidade sensorial, uma vez que estes agentes não possuem cheiro ou sabor, dificultando a deteção precoce. A resistência ambiental também é uma característica essencial, sendo necessário que o agente consiga sobreviver a condições adversas, como luz solar, secura e calor. A elevada virulência, que corresponde à capacidade de provocar doença grave ou letal, associada a um período de incubação prolongado, contribui para a propagação silenciosa antes da identificação da infeção. Adicionalmente, a transmissão secundária ou terciária entre indivíduos ou através de vetores amplia o alcance da disseminação. Por fim, a ausência de tratamentos específicos ou de medidas profiláticas eficazes aumenta o potencial impacto destes agentes na saúde pública.
De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), os agentes de bioterrorismo são classificados em três categorias: A, B e C, com base no impacto que podem ter na saúde pública, na sua capacidade de disseminação, na dificuldade de deteção e no potencial para provocar pânico social.
A compreensão destas categorias e das características associadas a cada agente é fundamental para o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção, deteção, resposta e mitigação de possíveis incidentes relacionados com o bioterrorismo, protegendo a saúde pública e minimizando o impacto de possíveis eventos. (...)
Autores Rui Ferreira Fortes, Tenente Médico Veterinário
Pedro Tomás Silva, Tenente-Coronel Médico Veterinário
Inês Lavado Gomes,Tenente-Coronel Médica Veterinária
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