Estratégias de cibersegurança para empresas de gestão de água e saneamento
- 18 maio 2026, segunda-feira
- Água

D.R.
A gestão da água é um serviço essencial para a sociedade, com impacto direto na saúde pública, no ambiente, na economia e na qualidade de vida dos cidadãos. A digitalização acelerada do setor, incluindo automação, sensores inteligentes, monitorização remota e sistemas de controlo industrial, permite aos operadores otimizar processos, aumentar a fiabilidade operacional e promover a sustentabilidade.
Consciente de que as soluções tradicionais não são suficientes para os desafios da transição hídrica, o grupo SAUR, único acionista da Aquapor, investiu 200 milhões de euros nos últimos três anos, com o objetivo de automatizar 80% das atividades através de inteligência artificial. Este investimento permite uma gestão mais inteligente das infraestruturas, otimizar a utilização de recursos e reforçar a fiabilidade operacional.
No entanto, a crescente interligação entre sistemas de Tecnologia da Informação (IT) e Tecnologia Operacional (OT), presentes em estações de tratamento, redes de distribuição e plataformas de gestão centralizada, trouxe consigo novos desafios de cibersegurança, tornando esta uma componente estratégica da gestão de risco e da continuidade do serviço.
Embora ciberataques de grande repercussão direcionados ao setor da água sejam relativamente raros, a importância estratégica destas infraestruturas exige uma postura proativa e estruturada. Entre as ameaças mais comuns estão:
- Violações de dados e ransomware que visam os sistemas de TI/OT empresariais para extorquir organizações ou roubar informações de clientes.
- Ataques à tecnologia operacional (OT) que visam sistemas como SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition), PLCs (Programmable Logic Controllers) e unidades de telemetria remota. O comprometimento bem-sucedido pode interromper os processos de tratamento de água, alterar a dosagem de produtos químicos ou interromper a distribuição.
- Fatores humanos, como phishing, continuam a ser os principais vetores para comprometer inicialmente redes seguras.
- A convergência das redes de TI e OT potencia os riscos sempre que não existam medidas rigorosas de segmentação e controlo de acessos.
A distinção entre riscos IT e OT é fundamental: os sistemas IT tratam dados administrativos, financeiros e comerciais, enquanto os sistemas OT controlam processos físicos em tempo real, como a captação, tratamento e distribuição de água. Nos ambientes OT, a disponibilidade e a integridade dos sistemas é crítica, sendo qualquer interrupção capaz de afetar significativamente a operação do serviço. (...)
Autor Alberto Provêncio,
CIO da SAUR International
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